25 Feb 2010

tao te king

I

O Tao que se procura alcançar não é próprio Tao;
o nome que se lhe quer dar não é o seu nome adequado.

Sem nome, representa a origem do universo;
com um nome, torna-se a Mãe de todos os seres.

Pelo não-ser, atinjamos o seu segredo;
pelo ser, abordemos o seu acesso.
Não-ser e Ser saindo de um fundo único
só se diferenciam pelos seus nomes.
Este fundo único chama-se Obscuridade.

Obscurecer esta obscuridade,
eis a porta de toda a maravilha.
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Le Tao que nos essaya attinger non es le proprie Tao;
le nomine que nos vole dar lo non es su nomine adequate.

Sin nomine, illo representa le origine del universo;
con un nomine, illo deveni le Matre de tote le esseres.

Per le non-esser que nos attinge su secreto;
per le esser que nos aborda su accesso.
Non-esser e esser sortiente de un sol fundo
a pena se differentia per su nomines.
Iste sol fundo se appella Obscuritate.

Obscurar iste obscuritate,
ecce le porta de omne meravilia.

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II

Todos consideram o belo como belo,
é nisso que reside a sua fealdade.
Todos consideram o bem como bem,
é nisso que reside o seu mal.

Porque o ser e o nada engendram-se
o fácil e o difícil completam-se
o longo e o curto formam-se um pelo outro.
O alto e o baixo tocam-se.
A voz e o som harmonizam-se.
O antes e o depois sucedem-se.

Por isso o santo adopta
a táctica do não agir,
e pratica o ensino sem palavra.
Todas as coisas do mundo surgem
sem que ele seja o autor.

Produz sem se apropriar,
age sem nada esperar,
acabada a sua obra, a ela se não prende,
e porque a ela se não prende,
a sua obra permanecerá.
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Omnes considera lo belle como belle,
es in isto que sta su feditate.
Omnes considera le ben como ben,
es in isto que sta su mal.

Proque le esser e le nil se genera,
lo facile e lo difficile se completa,
lo longe e lo curte se forma le un le altere.
Lo alto e lo basso se tocca.
Le voce e le sono se harmonisa
lo ante e lo depost se succede.

Pro isto le sancto adopta
le tactica del non ager
e practica le inseniamento sin parola.
Tote le cosas del mundo surge
sin que ille sia lor autor.

[Ille] produce sin se appropriar,
age sin ulle sperar,
[un vice] finite su obra, a illo ille non se attacha,
e proque a illo ille non se attacha,
su obra remanera.

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[Lao Tse, Tao Te King, Lisboa, 1977]

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